domingo, 20 de janeiro de 2008

i want you



Esta imagem fez história; está presente, creio, na cabeça de muitos milhões de pessoas quando queremos apelar à participação. No caso, 1ª Grande Guerra Mundial, pretendia-se cativar os jovens americanos a alistarem-se (não era obrigatório, então). Tem sido usada, uma e outra vez, quando se pretende envolver outrém. Eu quero-te. A ti. Tu és importante. Tu és imprescindível. Eu? Porquê eu?, interrogo-me. Sou assim tão importante? Ena!

Man of the year, galardão da Time (revista semanal americana) mui aguardado por alturas de todos os fins de ano, foi o ano passado (enfim, de 2006), You. Foste tu. Fui eu. Fomos nós. Teremos mesmo sido? Fomos, somos assim tão influentes? Eu? Tu ? Nós? A capa da Time tinha, inclusivé, um espelho. Reforçava - sim. És mesmo tu. Não tinha o dedo indicador apontando decidido para nós, sim um espelho. Não te escapas, és tu, que eu quero.

Todo este preâmbulo para quê? És tu que tens de tomar a iniciativa. O processo de criação é tramado, doloroso. Custa. E depois, nós não sabemos se aquilo que estamos sugerindo, fazendo é bom, tem nível, vale alguma coisa. E escudamo-nos na retaguarda, na não participação. Com convicção, assumimos o papel de executantes, de coro, de corpo de baile. A criação é demasiado arriscada, ah, eu nao dou esse passo.

Mas eu quero-te a ti. Não eu, claro. Não eu, professora de AP. Eu, eu próprio (a) daqui a uns anos. Tu próprio daqui a uns anos queres-te a ti agora. Queres um tu capaz de.

Esta conversa hoje parece uma pescadinha de rabo na boca (oh, aos anos que não como uma, terá saído de moda?, alguém ainda sabe o que isso é?). Descendo à terra:

- o período das lideranças fortes e dos executantes cordatos já lá vai. O que se quer agora, e falo em termos pragmáticos, empresariais, são colaboradores atentos, curiosos, com capacidade de inciativa. Todos eles.

- todos nós, se assim nos predispusermos, somos capazes. Se pesquisarmos, se analisarmos, se trabalharmos, seremos capazes de sugerir, de criar. Será bom? Não sei, só o saberemos depois de o pormos em prática.

Tenho assistido nas aulas a belíssimos momentos em que alguém tem uma ideia (em aparência) louca, a expressa, todos soltam uma gargalhada e logo a abandonam.

Arrisquem, caramba!

Trabalhem-na, massacrem-na e depois assumam-na. Arrisquem.

Sim, estou a falar contigo.