faz-me acreditar.
Creio que não era (é) assim a letra da canção do Pedro Abrunhosa. Tenho andado com ela a ressoar-me na cabeça. Foi a aula da AP1 no outro dia, foram alguns trabalhos (ou pedaços deles) do primeiro período, foi o trabalho de hoje (da Sofia e meu) na aula da AP2. É, na realidade, uma associação tonta. Vem da sensação "isto não resulta" ou "isto não resulta assim-comigo-agora-aqui". Aconteceu no outro dia com o trabalho que se começou com o belíssimo texto da Massita (e aqui, entre parentisis, uma vez mais o meu apreço pela forma como ela sempre consegue conduzir as situações, admiro muito a sua postura) em que as pessoas não se reconheceram. Sobretudo no ambiente, penso.
Pode não ter qualquer relação mas afinal isto é um blogue e há espaço para estas historietas. Um pouco mais nova que vocês, nos meus quinze anos talvez, adorava que a minha mãe me fizesse camisolas. Pessoalizadas, com padrões únicos, faziam-me sentir especial. Ela prestava-se com gosto e lá me ia tricotando. Não era fácil a vida dela, então. Trabalhadora das 9 às 6, transportes, chegar a casa, fazer jantar, vocês imaginam, a vida das vossas mães há-de ser semelhante. Mais uns tricots para cima, de facto, não era nada que ela precisasse. Eu, contava as carreiras que ela fazia por dia, planeava dali a quanto tempo teria a camisola pronta. Com frequência ela dava por um "gato", às vezes um simples engano imperceptível. Desmanchava de pronto, nem hesitava, 20, 30, 40, as carreiras que fossem precisas até chegar ao erro e recomeçava dali. Eu enervava-me com aquele preciosismo "mãe, nem se nota!, deixe estar assim". Respondia-me "noto eu. De cada vez que olhasse para a camisola ia ver o erro".
Pois. Nós estamos assim também. Briosos, queremos um espectáculo sem falhas. Chamativo, com qualidade estética, com ritmo. Marcante, que impressione.
Apagamos, reconstruímos, construímos de raiz até um resultado que nos satisfaça.
[nota: sem qualquer relação agora, vi hoje, no regresso da escola, um cartaz a anunciar um espectáculo nos dias 1 e 2 de Fevereiro nos Recreios da Amadora. Com os Quorum Ballet, só pode ser bom. Vamos?]