terça-feira, 29 de janeiro de 2008

ensaios



Gosto de pensar, que para além de tudo - e este tudo é mesmo muito vasto - esta área de projecto em particular tem uma grande vantagem. Prepara-nos para a vida naquilo que a vida tem de confuso, de inesperado, de improvável, de volte face. Preparar será porventura um verbo forte, talvez até algo presunçoso, digamos que pode constituir um ensaio para o imenso caos que surgirá, pela certa, atrás de uma esquina torta no vosso percurso.

E isto, vem hoje a propósito de quê? Da aula de hoje, pois claro, em que um gesto inopinado origina uma nova ideia, e corta - acrescenta - modifica - e lá vamos nós outra vez.

Chego a casa, num email de uma mailling list que subscrevo, um anúncio a oferecer um emprego. Explica o que se pretende, que competências se exigem, etc, etc e termina com esta pérola:

"(...)se não se importa de trabalhar em ambiente de constante mudança e no meio de tipos que passam a vida a dizer "Olha lá e se nós fizéssemos antes desta maneira?",
peça o caderno de encargos para (...)"


Ora bem, pensei para comigo, se nada mais, pelo menos estou a prepará-los para responderem sem hesitar a um anúncio destes.

(e perdoem o "estou", é uma vez mais algum sentimento de orgulho inflamado nos seus "pintos")

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

amantes do tango

Vai realizar-se em Lisboa - Stª Apolónia, a 8, 9 e 10 de Fevereiro, o 1º Grande Encontro de Tango Argentino.

Destaco especialmente, na sexta feira das 21 às 22.00 uma aula gratuita com o Juan e a Graciana. Já fiz uma aula aberta com eles e são fabulosos.

A página (com um belo design, aliás) está ainda no começo, mas promete. Encontrei por lá um nome que me é grato - Eliseu Beja que foi meu treinador de basquetebol. Treinador de gabarito, dedicou-se depois a estas lides do Tango Argentino, onde - pelo que sei - veio a alcançar, também, lugar de destaque. Prova de que o basquetebol é das modalidades de desportos colectivos mais completas, diria mesmo que a mais completa. De facto, as habilidades e a coordenação que exige e desenvolve, tem depois fácil transferência para outras actividades.

O ano passado cheguei a convidá-lo - e andámos em negociações prolongadas - para ele nos vir dar (às AP's) um workshop de tango. Infelizmente, a sua parceira Maria João nunca teve disponibilidade e a acção acabou por não se fazer.

Parece que há por aqui apetência por este estilo de dança. Que tal aproveitar?

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

e agora,


assuntos sérios.

Relatórios. Portfolios.

O adiamento, ainda que a nosso contragosto, do espectáculo para a última semana de aulas, arrasta consigo uma série de consequências indesejáveis. Uma delas prende-se com a redacção do relatório. Este não vai poder incluir a análise do espectáculo, produto final deste período; será assim um relatório muito parcelar.

Considerando que a semana anterior vai ser muito pesada para todos vocês - em termos de testes das outras disciplinas, proponho que, assim que passar esta primeira leva, o elaborem e entreguem, digamos que até 21 de Fevereiro.

Quanto ao portfolio bem sei que ainda não vos entreguei qualquer recomendação escrita de organização (que aliás é muito livre); fá-lo-ei nesta próxima semana. De qualquer modo, a importância do portfolio não é expressa pela avaliação mas sim pelo seu contributo no processo de desenvolvimento de quem o elabora - aluno, professor, artista.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

parto difícil, é verdade



mas a criança é linda!

É uma brincadeira, meninos, não uma provocação. Enfim, admito, uma "provocaçãozinha".
Tem saído do pêlo a criação desta peça. Custosa, algo frustrante mesmo, hoje descolou em força. E não ...., não foi pela tua ausência, é uma simples coincidência. É do local talvez, esta turma é de horizontes largos, não medra em espaços fechados.

O ano passado um colega vosso - o Afonso - referindo-se ao processo da criação, disse "A preparação e a apresentação do espectáculo foi uma experiência traumática. Diz-se dessas experiências que aumentam a coesão do grupo. É verdade, o tempo e a dificuldade por que passámos tornaram os laços que nos ligam mais fortes.”

Ele sabia do que falava, aquela peça deles teve ali muito trabalho por trás, muita investigação, muito ensaio, repetição, risca, corta, modifica, treina, repete.

Está a valer a pena :-), os dias como o de hoje devolvem-nos a fé (refiro-me agora a todos os contratempos fora da aula, aos quais vocês são alheios. Mas que afectam, em muito, o trabalho).


Nota: não entendo estes formatos das fotos. No meu computador ela está grande, aqui parece uma miniatura.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

esticando

os prazos.




O veredicto não nos foi favorável. O auditório não está em condições, começaram hoje, de novo, a arrancar-lhe o chão. Ao ritmo do Camões já não será nas datas previstas - 20, 21 e 22 de Fevereiro.

Fiz nova marcação (junto do conselho executivo) para a última semana deste segundo período, ou seja:

Espectáculo de dança - Ao ritmo do Camões
12 de Março - 10h e 15.15
13 e 14 de Março- 21 h

(ensaio geral a 11 a partir das 10 horas)

Se houver algum problema com a sexta feira, último dia de aulas (relembro que o espectáculo será às 9 pm) digam - podemos sempre antecipar um dia.

Há males que vêm por bem, este há-de ser um bem que vem por mal. Temos mais tempo para nos prepararmos. Aconselho-os apenas a serem organizados com o vosso tempo - dediquem-se entretanto aos testes das outras disciplinas.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

the other side

Há sempre outro lado, um outro lado. É um bom nome, o grupo é bom, pelas regras da lógica (que todos estudaram no ano passado, uff já lá vai), o espectáculo só o pode ser.

As sessões são às 21.30, nos dias 1 e 2 de Fevereiro; às 16.00 no domingo. Local, Recreios da Amadora (ao lado da estação da CP ou, em alternativa, cerca de 2000 metros da última estação de Metro da linha azul).

Eu vou no dia 2, sábado. Alguém quererá acompanhar-me?

domingo, 20 de janeiro de 2008

i want you



Esta imagem fez história; está presente, creio, na cabeça de muitos milhões de pessoas quando queremos apelar à participação. No caso, 1ª Grande Guerra Mundial, pretendia-se cativar os jovens americanos a alistarem-se (não era obrigatório, então). Tem sido usada, uma e outra vez, quando se pretende envolver outrém. Eu quero-te. A ti. Tu és importante. Tu és imprescindível. Eu? Porquê eu?, interrogo-me. Sou assim tão importante? Ena!

Man of the year, galardão da Time (revista semanal americana) mui aguardado por alturas de todos os fins de ano, foi o ano passado (enfim, de 2006), You. Foste tu. Fui eu. Fomos nós. Teremos mesmo sido? Fomos, somos assim tão influentes? Eu? Tu ? Nós? A capa da Time tinha, inclusivé, um espelho. Reforçava - sim. És mesmo tu. Não tinha o dedo indicador apontando decidido para nós, sim um espelho. Não te escapas, és tu, que eu quero.

Todo este preâmbulo para quê? És tu que tens de tomar a iniciativa. O processo de criação é tramado, doloroso. Custa. E depois, nós não sabemos se aquilo que estamos sugerindo, fazendo é bom, tem nível, vale alguma coisa. E escudamo-nos na retaguarda, na não participação. Com convicção, assumimos o papel de executantes, de coro, de corpo de baile. A criação é demasiado arriscada, ah, eu nao dou esse passo.

Mas eu quero-te a ti. Não eu, claro. Não eu, professora de AP. Eu, eu próprio (a) daqui a uns anos. Tu próprio daqui a uns anos queres-te a ti agora. Queres um tu capaz de.

Esta conversa hoje parece uma pescadinha de rabo na boca (oh, aos anos que não como uma, terá saído de moda?, alguém ainda sabe o que isso é?). Descendo à terra:

- o período das lideranças fortes e dos executantes cordatos já lá vai. O que se quer agora, e falo em termos pragmáticos, empresariais, são colaboradores atentos, curiosos, com capacidade de inciativa. Todos eles.

- todos nós, se assim nos predispusermos, somos capazes. Se pesquisarmos, se analisarmos, se trabalharmos, seremos capazes de sugerir, de criar. Será bom? Não sei, só o saberemos depois de o pormos em prática.

Tenho assistido nas aulas a belíssimos momentos em que alguém tem uma ideia (em aparência) louca, a expressa, todos soltam uma gargalhada e logo a abandonam.

Arrisquem, caramba!

Trabalhem-na, massacrem-na e depois assumam-na. Arrisquem.

Sim, estou a falar contigo.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

inquestionável?



"Antes de tudo o mais, ao apreciar uma obra balética deve o espectador olhar para a qualidade e valor da Dança em que ela assenta e só depois atender aos restantes elementos que a compõem... porque, quer se queira quer não, a base de toda a obra balética é a Dança e só em função da qualidade desta ela pode ser julgada."

in O que é o Ballet, de Tomás Ribas

E é a última citação, vou agora devolver o livro (e a cassete de disco dance).

Matéria para pensar, esta. À partida, tendo a concordar por inteiro. Depois, vem o mas. Lembro-me de um trabalho muito bom do ano passado, talvez até o melhor dos de contemporânea do Dança, Camões! - o Hunter, protagonizado pela Ana, Catarina, Carolina, Ivo e Patrícia. A qualidade da dança foi magnífica, os figurinos estavam também muito bem, coerentes com a peça, apelativos. Não obstante, a iluminação desadequada, desenxabida em conjunto com a ausência de um cenário, retirou à peça boa parte do impacto. Não sei quantos de vocês, dos que assistiram, saibam do que estou a falar. À laia de ilustração (e também de homenagem, claro, adorei a peça) junto duas fotos tiradas pela prof. Margarida Ramsy. Sem elas, alguém que só tivesse visto o espectáculo uma única vez, recordar-se-ia?

De qualquer modo, o contrário nunca é verdade. Um grande aparato não evita o bocejo de uma dança pobre.

Recomendo a re-visualização do Hunter - no DVD do espectáculo que está na BeCre.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

perfeição

Sem querer entrar em contradição com o que acabei de dizer, tenho de fazer uma adenda. A perfeição não existe. Perseguimo-la com denodo. Mas ela não existe e isto agora já começa a parecer um sketch de alguém que todos conhecemos.

Esta adenda refere-se ao autor que andei, tão pressurosa, divulgando - Tomás Ribas. De facto, logo no capítulo III dei com uma falha que me aborreceu em particular. Por um motivo particular, claro. Ele não menciona a dança barroca; eu,no Verão estive uma semana em Vila Nova de Gaia a frequentar um workshop de dança barroca. Foi uma imersão completa, manhã e tarde, envolveu também uma oficina de escrita. Aprendi muito quer na parte prática (dolorosa, além de tudo, fiquei toda dorida e até com os tendões inflamados) quer no suporte teórico. Ora, depois de uma semana intensa, com debates académicos tão interessantes, não ver sequer uma linha caridosa de menção à dança barroca num livro que, entre outras coisas, aborda a evolução da dança, é no mínimo, desconcertante.

Depois, no final do livro há um resumo da situação da dança em Portugal no século XX (principalmente). "O que é o Ballet" foi publicado pela primeira vez em 1959 - Estado Novo, portanto. A abordagem feita pelo autor é, claramente, situacionista. Não obstante, o que constato uma vez mais é a minha imensa ignorância nestes assuntos. Fico, é claro, com vontade de saber mais, de pesquisar mais, de ler mais. Se alguém estiver à vontade neste período da história de Portugal (com vontade de partilhar), a porta está aberta.

apaga recomeça

faz-me acreditar.

Creio que não era (é) assim a letra da canção do Pedro Abrunhosa. Tenho andado com ela a ressoar-me na cabeça. Foi a aula da AP1 no outro dia, foram alguns trabalhos (ou pedaços deles) do primeiro período, foi o trabalho de hoje (da Sofia e meu) na aula da AP2. É, na realidade, uma associação tonta. Vem da sensação "isto não resulta" ou "isto não resulta assim-comigo-agora-aqui". Aconteceu no outro dia com o trabalho que se começou com o belíssimo texto da Massita (e aqui, entre parentisis, uma vez mais o meu apreço pela forma como ela sempre consegue conduzir as situações, admiro muito a sua postura) em que as pessoas não se reconheceram. Sobretudo no ambiente, penso.

Pode não ter qualquer relação mas afinal isto é um blogue e há espaço para estas historietas. Um pouco mais nova que vocês, nos meus quinze anos talvez, adorava que a minha mãe me fizesse camisolas. Pessoalizadas, com padrões únicos, faziam-me sentir especial. Ela prestava-se com gosto e lá me ia tricotando. Não era fácil a vida dela, então. Trabalhadora das 9 às 6, transportes, chegar a casa, fazer jantar, vocês imaginam, a vida das vossas mães há-de ser semelhante. Mais uns tricots para cima, de facto, não era nada que ela precisasse. Eu, contava as carreiras que ela fazia por dia, planeava dali a quanto tempo teria a camisola pronta. Com frequência ela dava por um "gato", às vezes um simples engano imperceptível. Desmanchava de pronto, nem hesitava, 20, 30, 40, as carreiras que fossem precisas até chegar ao erro e recomeçava dali. Eu enervava-me com aquele preciosismo "mãe, nem se nota!, deixe estar assim". Respondia-me "noto eu. De cada vez que olhasse para a camisola ia ver o erro".

Pois. Nós estamos assim também. Briosos, queremos um espectáculo sem falhas. Chamativo, com qualidade estética, com ritmo. Marcante, que impressione.

Apagamos, reconstruímos, construímos de raiz até um resultado que nos satisfaça.

[nota: sem qualquer relação agora, vi hoje, no regresso da escola, um cartaz a anunciar um espectáculo nos dias 1 e 2 de Fevereiro nos Recreios da Amadora. Com os Quorum Ballet, só pode ser bom. Vamos?]

domingo, 13 de janeiro de 2008

o treino

"A mais elementar técnica de qualquer expressão de arte é a repetição".
Tomás Ribas, "O que é o Ballet"

Lapidar.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Primeiro estranha-se

depois entranha-se.

Refiro-me ao nome do nosso espectáculo e evoco uma campanha publicitária já com uns bons anos. Nem me lembro que tentava ela vender - água tónica? água das pedras? perfume?

Ao ritmo do Camões.

Não me entusiasmou por aí além no dia da escolha; porém, tinha-me vindo a habituar e hoje deu-se o convencimento completo. No âmbito do tpc para a turma 3, a AH, fui à procura de materiais à biblioteca que frequento - a de Oeiras. Tem uma estante dedicada à dança, teatro e ópera. Poucos títulos mas curiosamente aqui há uns meses dei com um pequeno livro de ar modesto, despretensioso, pleno de conteúdo. À conta desse livro fiquei até com o cartão bloqueado, retive-o mais tempo que o permitido (na realidade foi desleixo, podia ter pedido a renovação do empréstimo). Adiante, hoje deparei-me com outro do mesmo autor - Tomás Ribas. Este autor aparece, por vezes, citado em textos de apoio sobre dança. Tomem nota todos aqueles que, de vocês, gostam da busca, da leitura, do suporte teórico para as acções práticas. Não se assustem com o título "O que é o ballet", bom ainda só vou no capítulo III (interrompi para vir aqui), só pelos dois primeiros vale a pena. Um parágrafo da introdução só por si já valia, voltarei (um destes dias) a ele.

O ritmo.

Começa por falar sobre o ritmo e diz assim "O ritmo é inseparável da Dança, é a palavra no seu mais primitivo estádio, uma vez que o homem primitivo dançou antes de se ter servido das palavras. A Dança antecede a palavra porque ela nasceu da primeira linguagem do Homem: o gesto.
O ritmo é, no homem, uma descarga emocional. Mais do que isso, o ritmo é um dos primordiais fenómenos da vida. Na Natureza tudo vive segundo um ritmo perfeito: a sequência dos dias e das noites, a sequência das estações, a germinação dos seres, vegetais ou animais, os períodos lunares, as marés, as pulsações, o bater do coração...são fenómenos que se produzem segundo um ritmo.

(...)

O ritmo serve para regular e medir todas as forças vitais; é ele que estabelece a harmonia e o equilíbrio dos movimentos, preside à ordem das coisas e dá aos nossos gestos e às nossas reacções a sua força e a sua expressão. O ritmo é o primeiro movimento da vida a caminho de outros fenómenos e tal movimento incide sobre os músculos do corpo humano e sobre o sangue que nos corre nas veias."

E continua e continua.

Muito bem escolhido, portanto, o nome para o nosso espectáculo. Adequado, pertinente, inspirador.

Por fim, ainda uma outra consideração: temos autores, académicos, estudiosos, muito bons em Portugal. Esta AP tem sido um pretexto e uma ocasião de crescimento para mim. Tem ainda estes bónus periódicos - a descoberta de personagens magníficos que eu conhecia apenas de nome e/ou por citações. Não há nanda melhor que ir à fonte, ler no original e no contexto. Repito o convite à leitura - Tomás Ribas.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

em marcha

Já tem nome:

Ao ritmo do Camões

E os dados estão lançados. Peças há bastantes, ideias são às catadupas, a dificuldade vai ser concentrarmo-nos, ter a clareza e o discernimento para apostar nas mais interessantes. E exequíveis. Ainda, haverá que ter a coragem de mandar fora, de limpar os gestos, as acções, partes inteiras se necessário for.

Já ganhámos alguma experiência com os trabalhos de primeiro período, vamos capitalizá-la.
[pena o "capitalismo" não chegar a ver a luz do auditório, uma peça com tanto potencial. Apesar do nome....e do conceito detestável]

sábado, 5 de janeiro de 2008

sonhos

Na quinta feira, de passagem, um de vocês, alguém, perguntou-me em tom simpático (mas o conteúdo era provocatório) "porque é que só nós é que aparecemos?" (talvez a formulação da pergunta não fosse esta, seria algo de semelhante, estou a ser fiel ao significado).

Não respondi, podia ter respondido no mesmo tom de desafio "porque foram sobre vocês as melhores fotografias, o que não quer dizer que o vosso trabalho fosse o melhor. Pelo contrário".

Abro novo parentisis antes de continuar o raciocínio - aqui há uns anos, sem pensar em todas as implicações (éticas, sobretudo) aderi ao Napster. Suponho que sejam todos demasiado novos para o Napster (penso que terá sido o primeiro grande programa de partilha de ficheiros), lembro-me de uma música que descarreguei. Não era bem uma música, seria mais um texto musicado. Lido pelo actor Richard Harris (interpretou Dumbledore, creio, no Harry Potter) contava a última aula de um professor a quem, a direcção da escola dispensava - por excesso de idade - no ano lectivo seguinte. É um texto muito bonito, ouve-se o barulho do projector de slides em fundo, o professor vai discorrendo sobre cada um. Faz a sua despedida, partilhando as suas viagens - a sua viagem? - com os alunos.

Faço parágrafo, para explicar o porquê desta memória - é que a determinada altura, aparece o Grand Canyon, nos Estados Unidos. Ele fala sobre ele e diz algo como "virtually unphotographable at any given time". De facto, não é possível uma fotografia, qualquer que seja o ponto de vista, a altitude, a hora do dia, captar algo de tão magnificente como o Grand Canyon. Nunca lá estive mas sei como é. Não há fotografia alguma que capte a aura do Guincho. E falamos de mil metros de praia. (serão mais?).

Do mesmo modo, as peças finais foram infotografáveis. Não obstante, algumas fotos resultaram.

Posto isto, e parecendo ter pouca relação (a relação é talvez o efeito que a provocação causou, presumo que algo de adolescente remanesce em mim) venho aqui partilhar convosco. É que chega a esta fase e desato a sonhar com coreografias. É muito engraçado acordar de manhã (e não, não foi agora, já estou na fase da vida em que se acorda cedo mesmo deitando tarde) e lembrar-me das coreografias das danças. A de hoje era espectacular, cheia de movimento e sim, tinha os rapazes como protagonistas. Talvez por serem um minoria e eu ter especial afecto pelas minorias, sejam elas quais forem. (as meninas que me perdoem, apelo à vossa compreensão - no 12º h, tem sucedido o contrário, elas são bem menos que eles). Seja como for, era uma coreografia baseada no andebol, era um andebol bailado, exagerado mas com extremo bom gosto, não tinha bola, claro, estava espectacular! (outro parentisis, eu nem gosto de andebol). Eram os corpos jogando-se no ar, o Nuno (agora infelizmente lesionado, deve ter sido por isso que mereceu o destaque) elevando-se e caindo enrolado com absoluto controlo, qual primeiro bailarino.

Sem fotos hoje, não quero provocar mais ninguém e esperando que entendam o desabafo.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

cheios de movimento e de voluntarismo,


nós todos, como este (desvairado, e não é um insulto ☺, bem pelo contrário) grupo de rapazes estamos de volta ao trabalho.

Um pouco desfocados ainda (tal como eles, aqui, por culpa da fotógrafa), vamos planear em conjunto, alinhar direcções, coordenar esforços. De modo a que, daqui a mês e meio o produto saia limpo, escorreito, sem tremideiras nem hesitações.

Almejemos alto com coragem e garbo.