quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

o que os olhos vêm




Um dia, eram as minhas filhas muito pequenas, passeávamos no jardim de Paço de Arcos. Do outro lada da rua estreita, demoliam um prédio bem velho. Já sem telhado, sem janelas nem portas, restavam as paredes grossas. Uma caterpillar investia contra elas; ao lado de uma porta larga, avançava e recuava uma e outra vez. Era um espectáculo cativante, quedámo-nos todos fascinados. Ao fim de uns minutos, a mais velha (na altura com 3 anos e picos), de mão dada com o pai, ergue a cabeça para ele e pergunta "oh pai, porque é que o tractor não consegue entrar?"

Nunca vemos a mesma coisa.

Hoje, onde uns viam beleza serena, outros lentidão. Uns viam drama, outros gestos histriónicos. Aqui boa disposição, ali palhaçada. Vocês vêm uma coisa, eu outra, ela ali ao lado ainda uma outra. Olhares diferentes, experiências diversas, sensibilidades díspares.

O desafio - porque há uma tarefa incontornável: a avaliação - será a de conseguir conciliar toda esta diferença. O olhar de cá com o olhar daí.

Um caminho será seguramente o da comunicação.