- São mostras de trabalhos, são rotinas, são exercícios coligidos de modo a serem um instrumento de avaliação. Não pretendem ser peças para serem mostradas.
- Sim, respondia ele, mas repara - elas (as intérpretes) não têm intensidade, não têm emoção, não perpassa dali nada.
E eu concordei com ele. De facto, não. Não cessava de me lembrar dos vossos trabalhos, mais ineptos é certo, mais pueris, ainda assim transbordando de emoção.

Não interessa comparar, insisti eu no outro dia, antes de visionarmos todas as peças. Aqui também não interessava e, não obstante, eu fi-lo. Penso que me senti como uma mãe galinha protegendo os seus pintos contra um inimigo imaginário, neste caso as críticas potenciais de outrém. E por saber que no campo - intensidade, esta foi a tradução fiel do empenho, da quantidade de trabalho, da entrega.

Ainda bem que não vieram, pensei. Justifico-vos - é óbvio que aprendemos sempre, eu não dou, de modo nenhum, o meu tempo por mal empregue. Eu gostei de ter ido e nunca saberei se vocês teriam gostado. Mas é um pouco como, digamos.... se a analogia funciona, como levar alguém pela primeira vez a um estádio de futebol e o jogo acaba empatado a zero. Com a estatística a contabilizar apenas dois remates à baliza e três vezes que, ambas as equipas somadas, ultrapassaram o meio campo com posse de bola. É azar.