Aqui há uns bons anos atrás, num intervalo de um Ballet Gulbenkian em que, encostados a um corrimão, digeríamos a primeira parte do espectáculo, um colega meu quebrou o silêncio "é bom ver coisas bonitas". Na realidade não me lembro se ele o disse exactamente assim, pode ter sido "faz-nos bem ver coisas bonitas". Não há aqui nada de especialmente profundo se bem que valorizar aqui não tenha qualquer interesse.
Ele traduziu simplesmente em palavras o nosso estado de espírito daquele momento. De beatitude pela certa, estávamos ainda sob a influência da magia do que acabáramos de assistir.
Não há bailado que não me faça lembrar aquela sensação inaugural. Não porque fosse a primeira vez a que eu assistia a um ballet, sim por ter sido muito forte, muito bom. E de cada vez que saio de um espectáculo destes do qual tenha gostado, lamento que vocês (ou outros como vocês, outros alunos) não tenham lá estado. Partilhar coisas bonitas, redobra-nos ou n dobra-nos, o prazer de as ter tido, no caso de as ter visto, de as ter sentido.
Gostei muito de ter estado com vocês no Teatro Camões no sábado, de ter conversado sobre a peça no intervalo e no final, de ter partilhado a sala, de me ter emocionado com vocês. É bom ser professora. Às vezes. Ok, muitas vezes.